Exame para confirmar zika não é coberto por vários planos de saúde
| Imagem ilustrativa |
Operadoras têm que cobrir
exames pra diagnóstico de dengue e chikungunya, mas testes de zika não são
obrigatórios, segundo a ANS.
Quem tem plano de saúde enfrenta dificuldades pra fazer o exame que
confirma o diagnóstico da zika. A cobertura não é obrigatória.
Júlia Ferreira de Lacerda Chaves está grávida de 16 semanas. Há quase um
mês, ela teve sintomas da zika.
“Eu tive muita coceira, vermelhidão no rosto e mais aqui no pescoço”,
conta a empresária.
Júlia tem plano de saúde, mas não conseguiu descobrir se era mesmo a
doença.
“Eu fui na emergência do plano e eles fizeram um exame de dengue e o
hemograma completo, mas eles não faziam o exame de zika lá. Aí eu procurei o
laboratório, só que era muito caro, era 826 reais, se não me engano”, lembra.
Não fez o exame e continuou preocupada. “Estou usando meia, fico
trancada dentro de casa”, afirma.
Essa é uma situação que vem se repetindo nesse cenário de surto de zika.
Por determinação da Agência Nacional de Saúde, as operadoras têm que cobrir
exames pra diagnóstico de dengue e chikungunya, mas os testes de zika não fazem
parte da lista de procedimentos com cobertura obrigatória.
Nós ligamos pra três laboratórios, no Rio.
Jornal Nacional: Eu queria saber se vocês fazem exame pra diagnóstico de
zika.
Atendente: Realizamos.
Jornal Nacional: Vocês fazem pelo plano de saúde?
Atendente: Realizamos.
Atendente: Realizamos.
Jornal Nacional: Vocês fazem pelo plano de saúde?
Atendente: Realizamos.
O segundo não aceito plano. “Só particular mesmo. Está R$ 620,30”,
informa a atendente.
E no terceiro, depende do plano. “Tem vários planos de saúde que não
cobrem esse exame”, afirma a atendente.
A Proteste, Associação Brasileira de Defesa do Consumidor, enviou um
pedido pra que a ANS exija das operadoras a cobertura de exames pra diagnóstico
da zika. Tanto os disponíveis, quanto os que ainda estão sendo desenvolvidos.
“Mais de 53 milhões de beneficiários não podem apenas ter um diagnóstico
presumido da zika. A gente pede uma antecipação e a revisão desse rol o quanto
antes em função do surto que nós estamos vivendo em benefício do consumidor”,
aponta Gisele Rodrigues, técnica da Proteste.
A revisão da lista de procedimentos sai a cada dois anos. E a última foi
no início do mês passado. O Jornal Nacional procurou a ANS pra saber se a
revisão pode ser antecipada, mas a agência preferiu não gravar entrevista. Em
nota, informou apenas que está fazendo reuniões com as operadoras e órgãos de
defesa do consumidor.
Os representantes dos planos de saúde também preferiram mandar notas.
A Abramge declarou que não há consenso sobre a precisão dos exames
disponíveis no país.
A Fenasaúde disse que os procedimentos ainda não estão disponíveis pra
grande parte dos laboratórios. E que as operadoras estão levantando aqueles que
estão aptos a fazer os exames em âmbito nacional.
Júlia e muitos outros usuários de planos de saúde continuam na
expectativa. “A gente paga muito caro por isso. E ele, diante de uma situação dessas
é o mínimo que eles poderiam fazer”, reclama.
F: G1
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