Juiz anula decisão que zerou cobrança de R$ 331 milhões do Itaú
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Citando irregularidades investigadas pela Operação Zelotes, o juiz substituto da 20ª
Vara Federal do Distrito Federal, Renato Borelli, determinou a anulação de decisão
do Carf, conselho ligado ao Ministério da Fazenda, que havia beneficiado o Itaú
Unibanco.
"Não há como não considerar o desenrolar da Operação Zelotes, que investiga o
envolvimento de conselheiros em possíveis irregularidades na apreciação de
recursos em processos fiscais, tema fartamente noticiado nos últimos meses na
mídia nacional", declarou o juiz na sua decisão.
De acordo com o Jornal Folha de São Paulo,em 2012, a Receita Federal determinou que o banco devia pagar R$ 331 milhões
por valores não recolhidos em PIS e Cofins relativos a serviços em áreas diversas.
O banco recorreu ao Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), que
cancelou a decisão da Receita.
Para o juiz, porém, o acórdão do conselho "não tratou com o zelo necessário acerca
dos fatos noticiados no Termo de Verificação Fiscal [da Receita] e mantidos pela
decisão de primeira instância com unanimidade em desfavor do Itaú".
Cabe recurso.
A decisão não significa lançamento automático de uma dívida da
União contra o banco, mas sim que deverá ocorrer um novo julgamento no Carf. Ainda conforme o Jornal Folha de São Paulo,o processo que tramita na Justiça Federal de Brasília é uma ação popular movida
pela advogada Fernanda Soratto Uliano Rangel.
Segundo ela, a medida inicial da Receita "era exigível e estava alinhada ao
entendimento jurisprudencial" do STJ (Superior Tribunal de Justiça). Afirmou ainda
que a Delegacia da Receita Federal em São
Paulo decidiu em janeiro de 2012 "por unanimidade de votos" pela improcedência da
impugnação apresentada pelo Itaú.
Desencadeada em março de 2015, a Operação Zelotes apontou indícios de
irregularidades, fraudes e corrupção envolvendo membros do Carf, suspeitos de
cobrarem propina em troca de decisões.
Em nota, o Itaú Unibanco informou que vai recorrer e que considera a ação julgada
"incabível, pois se refere a caso que ainda está pendente de recurso no Carf".

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