PF prende operador de empilhadeira dos Correios com R$ 2,5 mi na conta
A Operação Mala Direta, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta sexta-feira (14), prendeu o operador de empilhadeira Edson Andre Silva, o “Sukita”, sob suspeita de integrar organização criminosa que montou um esquema paralelo de postagens nos Correios em São Paulo (SP); o rombo estimado alcança R$ 647 milhões.
A PF descobriu que “Sukita” ganha salário mensal de cerca de R$ 1,5 mil como funcionário dos Correios, mas em um período de dois anos movimentou R$ 2,5 milhões na conta.
O homem de 42 anos concorreu a uma cadeira na Câmara do município de Francisco Morato, na Grande São Paulo. Teve 532 votos e não se elegeu. Segundo a PF, ele é um dos seis funcionários dos Correios capturados na Mala Direta sob suspeita de corrupção passiva.
Três empresários também foram presos e um quarto está foragido. A Justiça Federal bloqueou R$ 13 milhões da organização.
“Um único empregado dos Correios, com salário de aproximadamente R$ 1,5 mil, movimentou no período de dois anos a quantia de R$ 2,5 milhões em sua conta bancária”, informou o delegado Alberto Ferreira Neto, que integra a força-tarefa da PF na Mala Direta.
O delegado não informou o nome dos empresários e nem dos funcionários dos Correios.
A reportagem apurou entre advogados que o alvo com movimentação milionária, preso na Mala Direta, é Edson “Sukita”.
“Esse funcionário, com quase dez anos de Correios, lidava diretamente com os empresários”, destacou Ferreira Neto. “Quando pegamos os salários desses empregados e verificamos o padrão de vida deles constatamos a total incompatibilidade com o patrimônio. Esse funcionário que movimentou R$ 2,5 milhões não fez nenhuma declaração ao Imposto de Renda. Os rendimentos desse empregado de aproximadamente R$ 1,5 mil chamaram muito a atenção”.
‘Sukita’ não declarou os ativos à Justiça eleitoral, quando registrou sua candidatura a vereador pelo PMDB. Declarou apenas a posse de um Honda CRV avaliado em R$ 94 mil e uma casa de R$ 240 mil, ou seja, patrimônio total de R$ 334 mil.
A PF apreendeu duas carretas e dois semi-reboques com ele que investia na constituição de uma empresa de transportes.
Com autorização judicial, a PF fez ação controlada e seguiu por vários dias os empresários e servidores dos Correios para flagrar encontros para pagamento de propinas.
A polícia iniciou a investigação há cerca de dois anos, sob comando dos delegados Thiago Borelli Thomaz e Alberto Ferreira Neto, ambos da Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários.
A Mala Direta mobilizou uma centena de policiais federais que cumpriram 19 mandados de buscas, três de condução coercitiva e nove de prisão temporária de três empresários e seis funcionários dos Correios, pelo prazo de cinco dias. Um quarto empresário está foragido.
A PF apreendeu R$ 100 mil em dinheiro vivo nas buscas realizadas, além de 16 veículos e quatro armas de fogo. A ação foi executada na capital e em Ferraz de Vasconcelos, Mogi das Cruzes, Mogi Mirim e Francisco Morato, todas na Grande São Paulo.
A Justiça Federal autorizou também interceptação telefônica dos investigados e a quebra do sigilo fiscal e bancário de todos.
“O afastamento do sigilo fiscal e bancário comprovou o repasse de dinheiro dos empresários diretamente para a conta dos funcionários corrompidos”, anotou Ferreira Neto.
Em algumas operações, o dinheiro chegava às mãos dos servidores por meio de ‘laranjas’. “Prendemos corruptos e corruptores”, também declarou o delegado. “Mais quatro ou cinco empresários, pelo menos, estão na mira das investigações”, continuou. Ainda há suspeita de que o esquema de postagem clandestina pode ter sido adotado em outros estados.
Ainda de acordo com a PF, as empresas envolvidas na Mala Direta “são de médio porte, mas conhecidas no meio, todas especializadas no manuseio de correspondências contratadas por bancos e grandes empresas que atuam com o sistema”.
O delegado observou, ainda, que os funcionários presos que ocupavam cargos de coordenação se valiam dessa condição “para, inclusive, inserir dados falsos no sistema de informação dos Correios”.
Ferreira Neto informou que foram apreendidos 85 mil selos falsos na casa de um empresário; o material estava escondido na churrasqueira da residência.
Ele destacou que cada postagem compreendia um volume de até 200 mil correspondências “sem nenhum tipo de faturamento”.
“Para se ter uma ideia da dimensão do golpe, uma correspondência custa R$ 1,70. Esses empresários que trabalham com manuseio, com entrega de boletos via mala direta, ofereciam esse mesmo serviço a 12 centavos. Ou seja, se os Correios fazem a R$ 1,70, os empresários não conseguem fazer a 12 centavos. Esse dinheiro entrava para os empresários. Os Correios não tinham nenhum lucro com isso”.
O delegado informou que a Gerência de Segurança da empresa pública identificou algumas correspondências sem o faturamento e comunicou a Polícia Federal, ”já indicando empresas”.
A reportagem não localizou a defesa de “Sukita”.
(Bahia.Ba)
