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Deputado famoso nas redes e entre os famosos cedeu avião para grupo investigado por tráfico de drogas

 

Youtube Metrópoles/CNM Aviação / Instagram

O deputado federal Fred Costa (PRD-MG) alugou uma aeronave de sua propriedade para a empresa CNM Aviação, que está envolvida em investigações da Polícia Federal sobre tráfico internacional de cocaína.
Henrique Brinco/BNews
Henrique Brinco/BNews

A CNM Aviação funciona no mesmo hangar do aeroporto de Belo Horizonte (MG) de onde saíram 175 quilos de cocaína em 2020 com destino a Lisboa, em Portugal. Na época, o local era usado pela empresa do irmão da atual dona da CNM.

À coluna Metrópoles, Fred Costa disse que pesquisou sobre a empresa e sua proprietária na internet antes de arrendar a aeronave, mas não identificou “qualquer fato impeditivo ou histórico de problemas”.

O avião cedido é um bimotor turboélice Embraer Emb-121, modelo conhecido como “Xingu”, com prefixo PT-MCA. Fabricado em 1982, ele leva até seis passageiros e atinge velocidade de cruzeiro de 450 km/h.

Fred Costa comprou a aeronave em setembro de 2024 por R$ 4 milhões. O contrato de arrendamento com a CNM Aviação foi assinado em 14 de abril deste ano, segundo registros da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O prazo é de 18 meses. 

A CNM Aviação foi aberta em agosto de 2021 por Juliana Costa Nobre Magalhães, que continua sendo a única proprietária. Ela é investigada na Operação Flight Level, deflagrada pela Polícia Federal em abril de 2021 para apurar uma quadrilha que usava aviões no tráfico internacional de cocaína.

O irmão dela, Leonardo Costa Nobre, foi denunciado pelo Ministério Público Federal em junho de 2021 por tráfico internacional. Segundo o MPF, ele era um dos líderes do grupo, junto com André Luiz Santiago Eleutério.

Em março de 2023, a PF acusou Leonardo de pagar R$ 3,5 milhões de propina a um advogado de Brasília, filho de um desembargador federal, para conseguir um habeas corpus e sair da prisão. As investigações apontam que Juliana assumiu o papel do irmão na operação e ajudou a articular a soltura dele.

Juliana negou envolvimento com o tráfico e ressaltou que não foi denunciada pelo MPF.

As investigações da Flight Level começaram em outubro de 2020, após a apreensão dos 175 kg de cocaína em Lisboa. A droga saiu do mesmo hangar hoje usado pela CNM Aviação, que na época pertencia à BHZ Táxi Aéreo, empresa de Leonardo Costa Nobre.

Essa coincidência de endereços é citada em  decisões do ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). 

“Na IPJ n. 101/2021 (relatório da PF) constou que, em diligência local no aeroporto da Pampulha, na data de 14/12/2021, foi verificado que a fachada da BHZ havia sido alterada, constando nova placa com a identificação da empresa CNM AVIAÇÃO”.

Og Fernandes também menciona indícios de que Juliana assumiu os negócios do irmão, que lhe deu procuração para atuar em suas empresas de táxi aéreo.

As decisões ainda apontam que o grupo de Leonardo atuava junto com a narcotraficante Karine Campos, conhecida como “rainha do pó”, condenada a 4 anos e 8 meses de prisão, mas foragida.

Em nota enviada à coluna Metrópoles, o deputado alegou que fez todas as verificações  antes de fechar o contrato.

“O deputado Fred Costa realizou todas as devidas diligências antes do arrendamento e não possui nenhuma relação com o episódio que aconteceu cinco anos antes do arrendamento”.

por Rebeca Santos

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