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Auditor da Receita preso com empresários de Salvador por fraude em importações tinha salário de mais de R$ 30 mil

 

Divulgação / PF

O auditor-fiscal Francisco Eliezer Viana da Silva, suspeito de receber R$ 6,8 milhões em propina em um esquema de fraude em importações, recebia mais de R$ 30 mil por mês como servidor concursado da Receita Federal.

Em junho de 2026, já sob investigação, ele chegou a receber R$ 44 mil por causa da gratificação natalina. Na mesma operação, dois empresários foram presos em Salvador, na Bahia: Rodolfo Sergio Martins Maia e Hugo Andrade Mendonça Santos.

Auditor está na Receita Federal desde 1994

Francisco Eliezer é servidor concursado da Receita Federal desde 1994. Ele estava lotado no Aeroporto de Fortaleza desde dezembro de 2016 e atuava no gabinete da inspetoria.

O auditor é suspeito de interferir irregularmente em despachos aduaneiros e de fornecer informações e orientações sigilosas sobre comércio exterior. De acordo com as investigações, ele também teria ajudado o grupo a obter laudos periciais falsos e interferido diretamente na fiscalização.

Francisco Eliezer é apontado como chefe da organização criminosa, que teria atuado desde pelo menos 2020. Em troca da atuação, ele teria recebido vantagens e pagamentos de integrantes do esquema.

Dois empresários foram presos em Salvador

As prisões ocorreram durante a Operação Snooker 2, que cumpriu três mandados de prisão e 15 de busca e apreensão. As ações foram realizadas em Fortaleza, Caucaia e Eusébio, no Ceará, e em Salvador, na Bahia.

Além das prisões, foram apreendidos bens como carros e relógios de luxo. A operação investiga um grupo suspeito de fraudar importações para reduzir o pagamento de impostos e aumentar os lucros.

Segundo a investigação, os envolvidos importavam produtos de alto valor, como prata e eletrônicos, mas declaravam as mercadorias como itens de valor inferior.

Como funcionava a fraude

De acordo com as investigações, o grupo era dividido em quatro núcleos: público, empresarial, financeiro e auxiliar.

No centro do esquema estaria Francisco Eliezer. Ele teria fornecido informações e orientações sigilosas sobre procedimentos de comércio exterior em benefício de empresas importadoras e despachantes aduaneiros.

Uma das frentes envolvia uma empresa importadora administrada por um empresário cearense. A companhia importava joias de prata, mas declarava os produtos como semijoias ou bijuterias de metal comum, com valor tributário muito inferior.

Conforme a denúncia, o empresário recebia apoio de Eliezer para conseguir laudos periciais fraudados que atestavam falsamente a natureza do material.

A outra frente envolvia um casal de empresários de nacionalidade chinesa, também responsável por uma empresa importadora. O grupo subfaturava produtos eletrônicos para pagar menos tributos e contava com a intercessão direta de Eliezer para driblar a fiscalização aduaneira. A propina paga por esse grupo é estimada em pelo menos R$ 2,5 milhões.

Mais de R$ 27 milhões movimentados

As investigações identificaram movimentações superiores a R$ 27 milhões entre empresas ligadas ao esquema, segundo a Receita Federal.

O grupo também teria adquirido aproximadamente R$ 31,8 milhões em criptoativos, valor considerado incompatível com as receitas formalmente declaradas.

O núcleo financeiro seria responsável por movimentar os recursos ilícitos. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), um contador teria constituído diversas empresas de fachada em nome de terceiros e atuado para movimentar os valores e disfarçar o repasse de propina ao agente público.

"Dois integrantes desse núcleo, responsáveis de fato por empresas importadoras de fachada, teriam pago ao auditor-fiscal, em contrapartida a informações privilegiadas sobre procedimentos internos da Receita Federal, pelo menos R$ 3,1 milhões", explica o órgão.

O núcleo financeiro, junto com o núcleo auxiliar, é apontado como responsável pela movimentação de mais de R$ 103,3 milhões por meio de empresas sem atividade econômica real.

Defesa contesta prisão

Ao g1, o advogado de defesa de Francisco Eliezer, Marcelo Oliveira, afirmou ter recebido com surpresa a decisão pela prisão do auditor-fiscal, uma vez que ele já havia sido alvo de um mandado de busca e apreensão anteriormente e havia sido denunciado formalmente pelo Ministério Público, e nenhum fato novo teria ocorrido desde então.

O advogado afirmou que, nesse momento, está tomando "todas as medidas jurídicas necessárias para reverter a prisão decretada, para além da demonstração da sua inocência, junto à ação penal".

A reportagem não conseguiu localizar as defesas dos empresários Rodolfo Sergio Martins Maia e Hugo Andrade Mendonça Santos.

Os alvos da operação poderão responder pelos crimes de organização criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes em operações de importação.

Arquivo Pessoal

Até o momento, mais de R$ 26 milhões foram bloqueados em contas bancárias de empresas e pessoas físicas envolvidas nas atividades criminosas. Também foram apreendidos veículos importados e uma embarcação de luxo.

por Redação Bnews

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