ONU defende descriminalização do aborto no Brasil
A Organização das Nações Unidas há
décadas defende o aborto como uma questão de “saúde pública”.
O seu órgão Centro de Direitos
Reprodutivos tem pressionado países para mudar suas políticas de “planejamento
familiar”.
Anualmente, publica um mapa mostrando
os avanços na mudança da legislação abortista no mundo todo.
Com a epidemia de zika em diversos
países, uma declaração oficial do Alto Comissariado da ONU para Direitos
Humanos mostrou claramente como esse assunto está sendo tratado como
justificativa para “garantir que os direitos reprodutivos da mulher sejam
garantidos”, ou seja, a descriminalização do aborto nos países atingidos pelo
zika.
A porta-voz da ONU Cecille Pouilly
falou, em entrevista à BBC, especificamente sobre a situação do Brasil. Ela
insiste que os problemas causados pelo vírus zika são “uma oportunidade para
que uma série de questões relacionadas aos direitos reprodutivos da mulher
fossem revistos”. Na prática, isso eliminaria a punição de até três anos
prevista pelo código penal.
Pouilly insiste que também é preciso
oferecer serviços de atendimento pós-aborto, sem que haja o risco de punição às
mulheres. Cautelosa, diz que a ONU não faz uma imposição, mas uma recomendação.
“Existe uma linha tênue entre uma
recomendação e interferência em políticas nacionais. Cada país deve discutir as
mudanças na lei em âmbito nacional”, finaliza.
O mesmo cuidado não tem o comissário
de Direitos Humanos da ONU, Zeid Ra’ad Al Hussein, que divulgou um comunicado
semana passada. “Leis e políticas que restringem mulheres a estes serviços [de
aborto] devem ser urgentemente revistas em linha com os direitos humanos para
garantir o direito à saúde para todos na prática”, dizia a nota.
Para quem acredita que as declarações
da ONU não têm poder para interferir nos governos, pois os países são
soberanos, a socióloga Jacqueline Pitanguy explica: “há uma questão que se
chama de legitimidade ao argumento… É muito mais fácil para governos e
para o Legislativo prestarem atenção na fala da ONU no que na destas mulheres.
A voz das Nações Unidas fala mais alto”.
Pressão interna
Enquanto a ONU pressiona de maneira
externa, a movimentação interna fica a cargo da professora Debora Diniz, da
Universidade Federal de Brasília, junto com o grupo de bioética que conseguiu
que o Supremo Tribunal Federal acatasse em 2012 a autorização para aborto de
fetos anencéfalos. Está em andamento uma ação similar para pedir à Suprema
Corte o direito ao aborto em gestações de bebês com microcefalia.
Eles têm como um dos principais
apoiadores o médico Drauzio Varella. “O aborto já é livre no Brasil. É só ter
dinheiro para fazer em condições até razoáveis. Todo o resto é falsidade. Todo
o resto é hipocrisia”, disse à imprensa.
Entre os principais argumentos da ONU
está o levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo ela, no
Brasil ocorrem 1 milhão de abortos ilegais por ano e matam uma mulher a cada
dois dias. De acordo com o Sistema Único de Saúde (SUS), mais de 200 mil
mulheres são internadas por ano com complicações pós-aborto. Com
informações France 24, Asia One, BBC [2]/Gospel Prime.


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