Dia de votação do impeachment tem briga, sermão e confete
Em uma exaltada sessão de 10 horas na câmara dos deputados, no domingo, para votação da admissibilidade do impeachment da presidente Dilma Rousseff, o cenário em certos momentos beirou o surreal.
Em alguns dos momentos, parte sermão de igreja. Os parlamentares cantaram,louvaram a Deus, pediram o fim da corrupção e invocaram o futuro de seus filhos e netos antes de se concentrarem no assunto quem tinham em mãos.
O tema a ser tratado era se a presidente havia encoberto ilegalmente um enorme déficit orçamentário, mas nem todos os parlamentares focaram na supostas pedaladas fiscais nos discuros que antecederam seus votos.
Os favoráveis ao impeachment vaiavam ou aplaudiam após cada voto. De acordo com as informações na matéria do site Exame.com, quando foi dado o voto decisivo a favor da saída de Dilma hove um explosão de aplausos e uma chuva de confetes. Muitos dos deputados da oposição quando gritava "sim" no microfone rompeu em lágrimas.
Nas ruas de algumas das maiores cidade do país os brasileiros se reuniram para assistir á votação ao vivo pela TV.
Ainda conforme o site Exame.com, Dilma como a parte de sua defesa, afirmou que Cunha decidiu levar adiante o processo de impeachment contra ela como um ato de vingança após investigadores apurarem o envolvimento dele no escândalo de corrupção da Petrobras. Uma Acusação que ele negou pouco antes do início da sessão de domingo.
O próprio Cunha foi alvo de muitos ataques durantes a votação. Minutos após o inicio da sessão, um grnde cartaz que dizia "fora, Cunha!" foi exibido atrás da mesa onde ele se sentava. Diversos deputados disseram, na hora de votar, que Cunha também deveria ser removido do cargo. Outros declaram contra o impeachment para que Cunha não assuma o poder. No Brasil, a linha de sucessão o coloca após o vice-presidente, Michel Temer.
Temer, que no último minuto decidiu permanecer em Brasília para a votação devido aos sinais de que o governo ganhava força, não fez nenhuma declaração e não estava perto do Congresso durante a votação. O jornal Folha de S.Paulo publicou uma imagem dele sorrindo, que teria sido feita enquanto ele assistia à votação em sua casa.
Muitas pessoas que estavam nas ruas também se mostravam perplexas pelo fato de o homem que comandava a votação ser um político acusado de irregularidades. Os opositores do impeachment viram a votação se desenrolar em uma grande tela montada no vale do Anhangabaú, em São Paulo, onde grandes multidões se reuniram para assistir à Copa do Mundo, em 2014. Um boneco de Cunha enforcado foi pendurado de uma ponte, com um cartaz que dizia “corrupto, golpista” em torno do pescoço.
“É surprendente que Cunha liderou isto depois de ele ser acusado de tanta coisa”, disse Fernanda Becker, socióloga, que vestia vermelho em apoio a Dilma. Enquanto ambulantes vendiam cerveja gelada com isopores cheios de gelo, a multidão vaiava os votos pelo sim e aplaudia os nãos.
O clima na Avenida Paulista, em São Paulo, onde se reuniu a maior parte da multidão pró-impeachment, era de mais agito. Ouvia-se samba e o hino nacional enquanto o povo reunido assistia à votação pelos telões.
“Estou aqui porque sou contra a corrupção e porque a Dilma é indiretamente responsável por todo esse caos que estamos vivendo”, disse Nilcilene Lago, que estava na manifestação com o filho. Ela, que tem 43 anos e ficou desempregada depois que sua empresa fechou, em 2013, não se mostrou muito animada com as perspectivas de um governo Temer. “Temer é menos pior do que o que temos hoje. Mas o perfeito seria ter novas eleições”.

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