Caso de feminicídio segue sem julgamento e júri é cancelado pela terceira vez no Recôncavo baiano
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| Julgamento do feminicídio da jovem quilombola Tainara dos Santos foi adiado pela terceira vez | |
O julgamento do feminicídio da jovem quilombola Tainara dos Santos, de 27 anos, foi adiado pela terceira vez pela Justiça da Bahia. O júri estava previsto para ocorrer nesta quinta-feira (12), mas foi suspenso após pedido da defesa do réu acusado do crime. Até o momento, não há nova data definida.
Tainara era trancista, mãe de duas meninas e moradora da comunidade quilombola de Acutinga Motecho, no território da Bacia do Iguape, em Cachoeira, no Recôncavo baiano.
Ela foi vista pela última vez em 9 de outubro de 2024, após sair para encontrar o ex-companheiro, apontado como principal suspeito do crime. O homem permanece preso preventivamente. Mesmo sem a localização do corpo, a Justiça reconhece o caso como feminicídio sem corpo.
Em abril de 2025, familiares da jovem relataram ao BNews a angústia causada pelo desaparecimento e o impacto da perda na saúde emocional das filhas.
É um sentimento de revolta, porque a gente não acha nada de Tainara, não sabe como ela foi assassinada. As filhas dela, todo dia, pedem tanto a mim quanto à mãe da gente uma resposta. Quando saímos, elas acham que vamos voltar com a resposta de onde está a mãe delas”, relatou um familiar.
Até o momento, não há previsão de uma nova data para o júri do caso Tainara. O Instituto Odara – Instituto da Mulher Negra, que acompanha juridicamente a família, também se manifestou sobre os sucessivos adiamentos do julgamento.
“Quando o julgamento de um feminicídio é sucessivamente adiado, e agora suspenso sem qualquer previsão de nova data, o que acontece é o fortalecimento da percepção de impunidade na opinião pública, evidenciando um sistema que falha em garantir respostas à altura da gravidade do crime. A espera por justiça se transforma em mais um capítulo da violência para as famílias e a comunidade”, destacou a instituição.
por Bruna Rocha

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